Conteúdo Educativo · Dr. Giuseppe Gatto

Diabetes e Rim:
Como Saber e Como Proteger

Do primeiro exame à proteção dos rins - o que medir, o que cada resultado muda e quais remédios entram em cada momento. Clique em cada etapa do guia prático para saber mais.

Última revisão: 14 de outubro de 2026 · Por Dr. Giuseppe Gatto (CRM-DF 13.009 · RQE 7597) · Política editorial

O diabetes aparece nos exames do rim muito antes de qualquer sintoma. Quem repete os dois exames certos descobre cedo e ganha tempo para proteger o rim. Dr. Giuseppe Gatto

Guia prático - do diagnóstico do diabetes à proteção dos rins

↓   Clique em cada etapa para saber mais   ↓

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Ao diagnóstico

Etapas

Os primeiros exames do rim

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No diabetes tipo 2, a avaliação dos rins começa no momento do diagnóstico. No tipo 1, cinco anos depois dele.

  • Relação albumina/creatinina em amostra de urina
  • Creatinina no sangue, para calcular a taxa de filtração glomerular (TFG)
  • Exame comum de urina
São exames simples e de baixo custo. A dificuldade não está em fazê-los, e sim em lembrar de repeti-los.
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Resultado em mãos

Os dois números que contam

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A albuminúria mostra se o filtro do rim começou a deixar passar proteína. A TFG mostra quanto o rim filtra. Juntos, definem o risco.

  • Albuminúria alterada precisa ser confirmada em nova amostra
  • TFG abaixo de 60 por mais de três meses também define doença renal crônica
  • Repetição de 1 a 4 vezes por ano, conforme o risco
Um exame alterado isolado não fecha o diagnóstico. Dois exames alterados, com intervalo entre eles, confirmam a alteração; para caracterizar doença renal crônica, ela precisa persistir por mais de três meses.
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Primeira camada

Pressão e bloqueio do sistema renina-angiotensina

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Com albuminúria e pressão alta, a losartana ou o enalapril entram na maior dose tolerada. Com pressão normal, o uso pode ser considerado.

  • Exames de controle de 2 a 4 semanas depois de iniciar ou aumentar a dose
  • Alta da creatinina de até 30 % em 4 semanas é esperada e, em geral, o remédio é mantido; a decisão é do médico, com o potássio em mãos
  • Os dois não são usados juntos
Na gravidez, esses remédios são suspensos. Quem pode engravidar deve conversar sobre isso com o médico.
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Segunda camada

O remédio que elimina açúcar pela urina

+

Os inibidores de SGLT2 protegem o rim e o coração, independentemente do efeito sobre a glicose. No diabetes tipo 2 com doença renal, são indicados com TFG de 20 ou mais.

  • Uma pequena queda inicial da TFG é esperada e não é motivo para suspender
  • Suspender em jejum prolongado, cirurgia ou doença aguda
  • Higiene íntima redobrada nas primeiras semanas
No SUS, a dapagliflozina pode ser obtida por dois protocolos, o de doença renal crônica e o de diabetes. Mais abaixo, explico os critérios de cada um.
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Quando ainda há risco

Finerenona e agonistas de GLP-1

+

Se a albuminúria persistir apesar das duas camadas anteriores, ou se a glicemia não chegar à meta, há outras opções.

  • Finerenona: TFG de 25 ou mais, potássio normal e albuminúria persistente
  • Agonista de GLP-1: quando metformina e inibidor de SGLT2 não bastam, com preferência na obesidade
  • Nenhum dos dois está disponível no SUS hoje
Cada opção é somada às anteriores, e não colocada no lugar delas.
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Ao longo dos anos

Acompanhamento e encaminhamento

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A doença renal do diabetes é acompanhada por anos. A frequência dos exames e a presença do nefrologista dependem do estágio.

  • Hemoglobina glicada duas vezes ao ano, até quatro se fora da meta
  • Nefrologista com TFG abaixo de 30, albuminúria muito alta ou queda rápida da TFG
  • Revisão de todos os remédios a cada mudança de estágio
O objetivo é perceber cada mudança nos exames a tempo de ajustar o tratamento.

Descobrir cedo dá mais tempo para proteger o rim

A doença renal do diabetes evolui devagar e aparece nos exames muito antes dos sintomas. A regularidade dos exames é o que permite começar a proteção no momento certo.

31%

dos pacientes em diálise no Brasil chegaram a ela por causa do diabetes, segundo o Censo Brasileiro de Diálise 2023.

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Artigo · Doença renal crônica · Causas e risco

Entender antes de decidir

Quem tem diabetes costuma ouvir que precisa "cuidar dos rins", mas raramente ouve como. No consultório, as perguntas se repetem: "Que exame mostra se o rim foi atingido?", "Albumina na urina quer dizer diálise?", "Por que o remédio novo não veio pelo posto?". Cada resposta influencia as decisões dos próximos anos.

A doença renal do diabetes, antes chamada de nefropatia diabética, é o dano aos filtros do rim causado pelo excesso de glicose e pela pressão alta ao longo do tempo. Ela é silenciosa: não dói, não muda a cor da urina e não causa inchaço nas fases iniciais. Aparece primeiro nos exames, e é por isso que os exames são o centro desta página.

Este texto é para quem tem diabetes e quer saber se os rins estão bem, para o familiar que acompanha as consultas e para quem já recebeu o diagnóstico e quer entender a lógica do tratamento.

Os dois exames que contam

Dois exames contam a história do rim no diabetes, e nenhum substitui o outro.

Albuminúria: em geral, o primeiro sinal

A relação albumina/creatinina em uma amostra simples de urina mostra se o filtro do rim começou a deixar passar albumina, uma proteína que normalmente fica no sangue. Costuma ser o sinal mais precoce da doença renal do diabetes e aparece, muitas vezes, com a filtração ainda normal. Não é regra, porém: há doença renal do diabetes em que a albuminúria se mantém normal e o que cai é a filtração, e é por isso que a diretriz KDIGO define a doença renal crônica no diabetes por albuminúria persistente, por filtração persistentemente reduzida ou por ambas.

O resultado é classificado em três categorias: normal ou levemente aumentada (abaixo de 30 mg/g), moderadamente aumentada (de 30 a 300 mg/g, a antiga microalbuminúria) e gravemente aumentada (acima de 300 mg/g, a antiga macroalbuminúria). Como a albuminúria varia com exercício, febre, infecção urinária e glicemia descontrolada, um resultado alterado precisa ser confirmado em nova amostra antes de virar diagnóstico, e a doença renal crônica só é caracterizada quando a alteração persiste por mais de três meses. Um único exame alterado pode refletir uma lesão aguda e passageira.

Taxa de filtração glomerular: quanto o rim filtra

A taxa de filtração glomerular (TFG) é calculada a partir da creatinina no sangue, levando em conta a idade e o sexo. Ela classifica a doença renal crônica em estágios, de G1 a G5, explicados na página sobre doença renal crônica. TFG abaixo de 60 mL/min/1,73 m² por mais de três meses define doença renal crônica, mesmo sem albuminúria.

Quando fazer e quando repetir

O protocolo do Ministério da Saúde para o diabetes tipo 2 orienta fazer os dois exames no momento do diagnóstico, no diabetes tipo 2, e cinco anos depois do diagnóstico, no tipo 1, repetindo-os de uma a quatro vezes por ano, conforme o risco. No meu acompanhamento, quem tem exames normais repete uma vez por ano; quem já tem albuminúria ou TFG reduzida repete com mais frequência, porque é nessa fase que os remédios são ajustados.

Situação O que significa O que muda na prática
Albuminúria normal e TFG acima de 60 Sem sinal de doença renal do diabetes. Controle da glicemia e da pressão; exames uma vez por ano.
Albuminúria moderadamente aumentada Sinal precoce de lesão do filtro. Não diz quanto o rim filtra: a TFG é avaliada à parte. Confirmar em nova amostra; iniciar a proteção em camadas.
Albuminúria gravemente aumentada Lesão estabelecida, com risco maior de progressão. Todas as camadas de proteção indicadas; acompanhamento com nefrologista.
TFG abaixo de 60 Doença renal crônica a partir do estágio G3a. Revisar doses de todos os remédios; exames mais frequentes.
TFG abaixo de 30 Doença renal crônica avançada. Nefrologista no centro do cuidado; planejamento do futuro, inclusive transplante.

Quando não é só o diabetes

Nem toda alteração renal em quem tem diabetes é causada pelo diabetes. Alguns sinais me levam a investigar outra causa, às vezes com biópsia renal, porque o tratamento pode ser diferente:

Nesses casos, a investigação não é excesso de zelo. Outras doenças renais, com tratamento próprio, podem coexistir com o diabetes, e identificá-las muda a conduta.

A proteção em camadas

O tratamento da doença renal do diabetes mudou muito nos últimos anos. Hoje ele é organizado em camadas que se somam: cada uma reduz uma parte do risco, e nenhuma substitui a anterior. A diretriz internacional KDIGO de 2022 para diabetes na doença renal crônica é a base do que descrevo aqui.

1. Pressão e bloqueio do sistema renina-angiotensina

Para quem tem diabetes, pressão alta e albuminúria, a recomendação é iniciar um inibidor da enzima conversora da angiotensina (como o enalapril) ou um bloqueador do receptor da angiotensina (como a losartana) e aumentar a dose até a maior tolerada. Com albuminúria e pressão normal, o uso também pode ser considerado.

Três cuidados acompanham esses remédios. Os exames de creatinina e potássio são repetidos de 2 a 4 semanas após iniciar ou aumentar a dose. Uma elevação da creatinina de até 30 % nas quatro primeiras semanas é esperada, e a diretriz orienta manter o remédio nesse caso, desde que o potássio esteja controlado e não haja pressão baixa sintomática. Isso não dispensa a reavaliação: quem decide manter, reduzir ou suspender é o médico, com os exames em mãos. Além disso, os dois tipos não são usados juntos. Na gravidez, são suspensos; mulheres que podem engravidar precisam de contracepção ou de um plano para a troca.

2. Inibidores de SGLT2: o remédio que elimina açúcar pela urina

Os inibidores do cotransportador de sódio e glicose tipo 2 (iSGLT2), como a dapagliflozina e a empagliflozina, fazem o rim eliminar parte da glicose pela urina. O efeito na glicemia é modesto. O que os tornou centrais foi outro achado: eles reduzem a progressão da doença renal, as internações por insuficiência cardíaca e a mortalidade, mesmo quando a glicose já está controlada.

Por isso, a recomendação internacional é usá-los em todo paciente com diabetes tipo 2 e doença renal crônica com TFG de 20 mL/min/1,73 m² ou mais, somados aos remédios que a pessoa já toma. Uma vez iniciados, podem ser mantidos mesmo que a TFG caia abaixo de 20, até o início da diálise. Uma pequena queda da TFG nas primeiras semanas é esperada e reversível.

Os cuidados práticos são poucos: suspender em jejum prolongado, cirurgia ou doença aguda, quando aumenta o risco de cetoacidose; reforçar a higiene íntima, pelo risco de infecção genital por fungos; e, em quem usa diurético, revisar a dose para evitar desidratação. Em transplantados renais, a recomendação ainda não se aplica, por falta de estudos.

3. Finerenona: quando a albuminúria persiste

Se a albuminúria continua acima de 30 mg/g apesar da dose máxima de losartana ou enalapril, a finerenona pode ser somada. É um antagonista não esteroidal do receptor mineralocorticoide, indicado no diabetes tipo 2 com TFG de 25 ou mais e potássio normal. O principal cuidado é o potássio, que precisa ser monitorado com regularidade depois do início.

4. Agonistas de GLP-1: glicemia, peso e coração

Os agonistas do receptor de GLP-1, em geral aplicados por caneta uma vez por semana, entram quando a meta de glicemia não é atingida com metformina e iSGLT2, ou quando esses remédios não podem ser usados. Preferem-se os que mostraram benefício cardiovascular, e são especialmente úteis para quem tem obesidade. A dose começa baixa e sobe devagar, para reduzir náusea. Quem também usa insulina ou sulfonilureia pode precisar reduzir essas doses, pelo risco de hipoglicemia.

5. Metformina: ajustada à função renal

A metformina continua sendo a base do tratamento do diabetes tipo 2 com TFG de 30 ou mais. Entre 30 e 45, a dose máxima cai para 1 g por dia; abaixo de 30, é suspensa. Depois de quatro anos de uso, a dosagem de vitamina B12 passa a fazer parte do acompanhamento.

O que o SUS oferece e o que fica de fora

No SUS, a dapagliflozina é o único iSGLT2 disponível, e ela pode ser obtida por dois protocolos diferentes do Ministério da Saúde.

Na prática, quem tem diabetes e doença renal com TFG entre 25 e 75 costuma se enquadrar pelo protocolo de doença renal crônica, mesmo sem critério cardiovascular. Ficam de fora quem tem TFG fora da faixa de 25 a 75 e quem não tem diabetes e tem albuminúria de até 300 mg/g, embora a diretriz internacional recomende o remédio para parte dessas pessoas. Finerenona e agonistas de GLP-1 não constam de nenhum dos dois protocolos.

Ter direito pelo protocolo não significa encontrar o remédio disponível no mesmo dia: o fluxo de solicitação, os documentos e o estoque dependem da Secretaria de Saúde de cada estado. Oriento o pedido e o preenchimento do laudo quando o paciente se enquadra.

Quando nenhum dos protocolos se aplica, discuto as alternativas caso a caso: opções de menor custo, quando existem, programas de acesso e a priorização do que traz mais benefício para aquele paciente. O plano é construído com o orçamento real da família, e não com um ideal teórico.

Glicemia na doença renal: metas e cuidados

A meta de hemoglobina glicada na doença renal do diabetes é definida caso a caso e fica entre 6,5 % e 8,0 %, segundo a diretriz KDIGO. Metas mais próximas de 6,5 % fazem sentido para quem é jovem, tem poucas complicações e usa remédios que não causam hipoglicemia. Metas mais próximas de 8,0 % protegem quem é idoso, tem doença avançada ou já teve hipoglicemias graves. Para a doença renal moderada, o protocolo do SUS adota meta de 7 % a 7,9 %.

A hemoglobina glicada é medida duas vezes por ano, ou até quatro vezes quando está fora da meta ou depois de uma mudança de tratamento. Nos estágios G4 e G5 e na diálise, ela perde precisão, e a medida da glicose no dedo ou por sensor contínuo ganha importância.

A doença renal muda o comportamento dos remédios. A insulina e algumas sulfonilureias permanecem mais tempo no organismo, e o risco de hipoglicemia aumenta. Com TFG abaixo de 30, as sulfonilureias são contraindicadas, com exceção da gliclazida de liberação modificada, em dose reduzida e com cautela. Uma hipoglicemia em curso (tremor, suor frio, confusão, fome súbita) precisa ser corrigida na hora, com açúcar de absorção rápida, do modo que a equipe orientou. Já as hipoglicemias novas ou repetidas são sinal de que a dose dos remédios precisa ser revista com o médico; comer mais ao longo do dia para compensar uma dose alta não resolve o problema.

Alimentação e hábitos

As recomendações valem para o diabetes e para o rim ao mesmo tempo:

Atenção: carambola

Quem tem doença renal crônica não deve comer carambola nem tomar seu suco. A fruta contém uma toxina que o rim doente não elimina e que pode causar soluços persistentes, confusão mental, convulsões e risco de morte, mesmo em pequena quantidade.

Remédios que pedem cuidado

Alguns remédios comuns pesam mais no rim de quem tem diabetes:

Os "dias de doença"

Vômitos, diarreia ou febre com pouca ingestão de líquidos desidratam rápido. Nesses dias, alguns remédios do próprio tratamento renal passam a ser um risco. No meu acompanhamento, cada paciente recebe um plano por escrito com os remédios a suspender temporariamente nessas situações, em geral o iSGLT2, a metformina, o diurético e o remédio da pressão, e com o momento de retomá-los. Esse plano é individual e deve ser combinado com o seu médico.

Como é o acompanhamento comigo

O endocrinologista ou o clínico conduzem o diabetes; o nefrologista cuida do rim. O encaminhamento faz mais diferença quando acontece cedo, e a diretriz KDIGO de 2024 lista as situações em que ele é necessário: TFG abaixo de 30, albuminúria muito alta, queda rápida da filtração, sangue na urina sem explicação, pressão que não é controlada com quatro remédios, alterações persistentes do potássio, anemia ou doença óssea.

Na primeira consulta, reviso a história do diabetes, os exames anteriores e todos os remédios em uso, inclusive os que a pessoa compra sem receita. Defino, com o paciente, a frequência dos exames e as camadas de proteção possíveis dentro da realidade de acesso de cada um. O cuidado é compartilhado: quem conduz o diabetes recebe o plano renal por escrito.

Atendo presencialmente em Brasília. Atendo também por telemedicina.

O que faz parte do acompanhamento

O acompanhamento da doença renal do diabetes é feito de rotinas simples, repetidas ao longo dos anos:

A evolução varia de pessoa para pessoa. O acompanhamento serve para perceber cedo as mudanças e ajustar o tratamento a tempo.

Leia também as páginas sobre pressão alta e rim, a outra metade do cuidado de quem tem diabetes, e sobre como proteger os rins.

Perguntas frequentes

Quem tem diabetes precisa fazer exame de rim todo ano? Qual exame?

Sim. Os exames são a relação albumina/creatinina em uma amostra de urina e a creatinina no sangue, para calcular a taxa de filtração glomerular (TFG). O protocolo do Ministério da Saúde orienta fazê-los no momento do diagnóstico, no diabetes tipo 2, e cinco anos depois do diagnóstico, no tipo 1, repetindo-os de uma a quatro vezes por ano, conforme o risco. No meu acompanhamento, quem tem exames normais os repete uma vez por ano.

Tenho albumina na urina. Isso quer dizer que vou precisar de diálise?

Não necessariamente. A albuminúria costuma ser o primeiro sinal de que o diabetes chegou aos rins (há casos em que a filtração cai sem albuminúria) e indica risco maior de progressão, mas é também a fase em que o tratamento tem mais tempo para agir. O controle da pressão, o bloqueio do sistema renina-angiotensina e os remédios que protegem o rim reduzem o risco de progressão. O resultado precisa ser confirmado em nova amostra antes de virar diagnóstico, e a alteração precisa persistir por mais de três meses para caracterizar doença renal crônica.

Posso continuar tomando metformina com o rim fraco?

Depende da taxa de filtração glomerular. Com TFG de 30 mL/min/1,73 m² ou mais, sim. Entre 30 e 45, a dose máxima é de 1 g por dia. Abaixo de 30, a metformina é suspensa. Em dias de vômito, diarreia ou desidratação, ela costuma ser interrompida temporariamente, conforme o plano combinado com o seu médico.

O remédio que elimina açúcar pela urina protege mesmo o rim?

Sim. Os inibidores de SGLT2, como a dapagliflozina e a empagliflozina, reduzem a progressão da doença renal, as internações por insuficiência cardíaca e a mortalidade, mesmo quando a glicose já está controlada. A diretriz internacional KDIGO recomenda o uso em todo paciente com diabetes tipo 2 e doença renal crônica com TFG de 20 ou mais. Os cuidados principais são a higiene íntima e a suspensão em jejum prolongado, cirurgia ou doença aguda.

Como conseguir a dapagliflozina pelo SUS?

Há dois caminhos. Pelo protocolo de doença renal crônica, para adultos que já usam losartana ou enalapril, com TFG entre 25 e 75 e diabetes ou, sem diabetes, albuminúria acima de 300 mg/g; o pedido é feito nas farmácias de alto custo (Componente Especializado), com laudo médico, receita e exames. Pelo protocolo de diabetes tipo 2, na segunda intensificação do tratamento e com critério cardiovascular e de idade. Ter direito pelo protocolo não garante estoque imediato, e o fluxo varia entre os estados; o médico que acompanha o caso pode orientar o pedido.

A creatinina subiu depois que comecei o remédio novo. Devo parar?

Não por conta própria. Uma pequena elevação da creatinina nas primeiras semanas é esperada com os inibidores de SGLT2 e com losartana ou enalapril, porque esses remédios reduzem a pressão dentro do filtro do rim. Essa alta é tolerada, mas não é, por si, prova de que o remédio está protegendo. Com losartana ou enalapril, uma alta de até 30 % em quatro semanas é aceita e o remédio costuma ser mantido; a decisão é do médico, com a creatinina e o potássio repetidos de 2 a 4 semanas depois do início. Elevações maiores ou potássio alto pedem reavaliação.

As canetas para diabetes e emagrecimento protegem o rim?

Os agonistas do receptor de GLP-1, aplicados em geral por caneta semanal, reduzem a glicemia, o peso e o risco cardiovascular. A diretriz KDIGO de 2022 os recomenda quando metformina e inibidor de SGLT2 não atingem a meta ou não podem ser usados, com preferência na obesidade. Eles não substituem os remédios que protegem o rim; somam-se a eles. Não estão disponíveis no SUS.

Qual deve ser a minha hemoglobina glicada se tenho doença renal?

A meta é definida caso a caso e fica entre 6,5 % e 8,0 %, segundo a diretriz KDIGO. Metas mais próximas de 6,5 % servem a quem é jovem e usa remédios que não causam hipoglicemia; metas mais próximas de 8,0 % protegem quem é idoso, tem doença avançada ou já teve hipoglicemias graves. Nos estágios mais avançados e na diálise, a hemoglobina glicada perde precisão, e a medida da glicose ganha importância.

Quem tem diabetes e doença renal pode comer carne?

Pode, com moderação. Fora da diálise, a recomendação é de cerca de 0,8 g de proteína por quilo de peso por dia, o que permite carne, ovos e leguminosas em quantidade habitual, sem excessos e sem suplementos de proteína por conta própria. Em diálise, a necessidade aumenta. Um nutricionista ajuda a montar o cardápio de acordo com o estágio.

Posso comer carambola?

Não. Quem tem doença renal crônica, inclusive a causada pelo diabetes, não deve comer carambola nem tomar o suco da fruta. Ela contém uma toxina que o rim doente não consegue eliminar e que pode causar soluços persistentes, confusão mental, convulsões e risco de morte, mesmo em pequena quantidade.

Referências

Documentos oficiais usados nesta página, para quem quiser conferir:

Conteúdo revisado por
Dr. Giuseppe Gatto
Nefrologista · CRM-DF 13.009 · RQE 7597