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Ensino em NefrologiaDr. Giuseppe Gatto · ambulatório
Conteúdo educacional · casos fictícios · nada é enviado nem guardado

Hipertensão arterial no ambulatório

Primeiro a orientação prática; depois o raciocínio hemodinâmico que explica as classes de anti-hipertensivos e as combinações. Fonte principal: Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 (DBHA 2025).

Sinais de gravidade interrompem o caminho ambulatorial. Pressão arterial (PA) muito elevada com lesão aguda e progressiva de órgão-alvo é emergência hipertensiva. A diretriz define a elevação, de forma arbitrária, como pressão arterial sistólica (PAS) ≥ 180 e/ou pressão arterial diastólica (PAD) ≥ 110 mmHg, mas a emergência pode ocorrer com valores menores; o que define é o estado clínico, não o número2, p. 98.

Em resumo

Comece por: diagrama · casos · síntese do caso

1. Guia curto

Discutir uma conduta
Critérios, exceções e fontes com página (Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 e KDIGO). A conduta do caso real é decidida com o professor.

1.1 Confira a medida antes de interpretar o número

Preparo, técnica, medida em pé, MRPA e MAPA, e os limiares por método.

Limiares de hipertensão por método2, Quadro 3.4, p. 37
MétodoPAS (mmHg)PAD (mmHg)
Consultório≥ 140e/ou≥ 90
MAPA, média de 24 horas≥ 130e/ou≥ 80
MAPA, vigília≥ 135e/ou≥ 85
MAPA, sono≥ 120e/ou≥ 70
MRPA≥ 130e/ou≥ 80

Em quem já usa anti-hipertensivo, a diretriz considera elevada a PA ≥ 130 e/ou 80 mmHg tanto no consultório quanto na MRPA ou na MAPA de 24 horas2, p. 38.

MAPA, MRPA e AMPA · DBHA 2025

As três medem a PA fora do consultório. O que as separa é o protocolo. É o protocolo que permite usar os limiares do Quadro 3.4.

Definição, protocolo e uso de MAPA, MRPA e AMPA
MétodoO que éProtocoloPara que serve
MAPA
monitorização ambulatorial da pressão arterial
Aparelho automático que mede a PA por 24 horas durante as atividades habituais e o sonoMedidas a cada 15 a 20 minutos na vigília e 20 a 30 minutos no sono2, p. 119. Normal: 24 horas < 130/80, vigília < 135/85, sono < 120/70 mmHg2, Quadro 14.5, p. 121Confirma o diagnóstico, define o fenótipo e é a única que avalia o descenso do sono2, Quadro 14.5, p. 121
MRPA
monitorização residencial da pressão arterial
Medidas feitas em casa pelo paciente ou familiar, seguindo um protocolo definidoAparelho automático de braço validado e calibrado2, p. 119; 4 a 6 dias em 1 semana, três medidas pela manhã e três à noite; média normal < 130/80 mmHg2, Quadro 14.5, p. 121. O PCDT descreve cinco dias, uma medida pela manhã e uma à noite25, p. 13Confirma o diagnóstico e é a mais indicada para acompanhar o tratamento2, Quadro 14.5, p. 121. Incorporada ao SUS para diagnóstico25, p. 13
AMPA
automedida da pressão arterial
Medida feita pelo próprio paciente ou familiar em casa, com o aparelho dele, sem protocolo preestabelecido2, p. 38–39Nenhum. Não há valores de normalidade nem protocolo validados para o método2, p. 39Só triagem, para indicar MAPA ou MRPA2, p. 39. No idoso, a diretriz admite considerá-la, apesar das limitações2, p. 79. No ambulatório: acompanhar o comportamento da PA de quem já tem diagnóstico (prática do serviço, não recomendação da diretriz)

Como o ambulatório usa a AMPA. Muitos pacientes não têm acesso a MAPA nem a MRPA. Por isso, no paciente que já tem o diagnóstico, a AMPA é pedida para ver como a PA se comporta entre as consultas: tendência, horários de pico, resposta a uma mudança de dose. O diagnóstico não se faz pela AMPA. Antes de usar o número, faça as perguntas que transformam AMPA em algo próximo da MRPA: o aparelho é de braço e validado? Quantos dias, quantas medidas e em que horários? Se o paciente puder repetir seguindo o protocolo da MRPA (três medidas pela manhã e três à noite, 4 a 6 dias), a média passa a ser comparável ao limiar de 130/80 mmHg. Sem protocolo, leia a AMPA como tendência, junto com a PA de consultório, e discuta com o professor; ela não confirma diagnóstico nem define fenótipo.

1.2 Classificação, confirmação e meta são três perguntas diferentes

  1. Classificação da medida2, Quadro 3.2, p. 36 (consultório, a partir de 18 anos, pelo maior valor entre PAS e PAD): normal < 120 e < 80; pré-hipertensão 120–139 e/ou 80–89; estágio 1 140–159 e/ou 90–99; estágio 2 160–179 e/ou 100–109; estágio 3 ≥ 180 e/ou ≥ 110 mmHg.
  2. Confirmação diagnóstica: PA de consultório ≥ 140 e/ou 90 mmHg em duas ocasiões diferentes, ou confirmação por MAPA ou MRPA2, p. 25 e 36. Lesão de órgão-alvo ou doença cardiovascular estabelecida bastam para confirmar2, p. 36. A comparação entre consultório e medida fora dele define o fenótipo: avental branco, mascarada, sustentada2, p. 37–39.
  3. Meta individual: < 130/80 mmHg para a maioria, inclusive na doença renal crônica (DRC) e no diabetes2, forte, alta; p. 26, 71 e 73; quem não tolera, o valor mais baixo tolerado2, p. 26; idosos frágeis ou com expectativa de vida comprometida, o menor valor tolerado2, p. 28. Na DRC em tratamento conservador, PAS < 120 mmHg em casos selecionados, com medida automática, de preferência desacompanhada2, forte, moderada; p. 71.
Meta de PAS < 120 mmHg: a KDIGO e a DBHA 2025 divergem
Divergência entre fontes. A KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes) 2021 sugere PAS < 120 mmHg na DRC quando tolerada, medida de forma padronizada no consultório26, Recomendação 3.1.1, 2B, p. S24, e alerta que aplicar essa meta a medidas não padronizadas é potencialmente perigoso26, ponto de prática 3.1.1. A DBHA 2025 adota < 130/80 mmHg e reserva < 120 para casos selecionados2, p. 69–71. Não misture meta de uma com método de medida da outra.

1.3 O que muda conforme o contexto

DRC, diabetes, albuminúria, potássio, edema, fragilidade e hipotensão ortostática.

SituaçãoO que muda na discussão
DRCInibidor da enzima conversora da angiotensina (IECA) ou bloqueador do receptor da angiotensina (BRA) de primeira escolha, com ou sem albuminúria, sem associar os dois; tiazídicos, diuréticos de alça e bloqueadores dos canais de cálcio (BCC) para associação2, p. 70. Com taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) < 30 mL/min/1,73 m², trocar tiazídico por diurético de alça; clortalidona admitida entre 15 e 302, p. 109–110. Monitorar potássio e função renal2, forte, alta; p. 71.
DiabetesInício imediato com dois medicamentos: IECA (BRA se intolerância) + BCC ou tiazídico similar2, forte, alta; p. 27 e 73. Clortalidona e indapamida têm vantagens sobre a hidroclorotiazida2, p. 72. MAPA ou MRPA para diagnóstico e seguimento2, p. 73.
AlbuminúriaConfirmar em duas ou três amostras2, p. 72–73. KDIGO: iniciar IECA ou BRA com albuminúria A3 sem diabetes2, 1B e com diabetes A2 ou A32, 1B; sugerir com A2 sem diabetes2, 2C26, Recomendações 3.2.1 a 3.2.3, p. S24.
PotássioIECA, BRA e antagonistas mineralocorticoides elevam; diuréticos tiazídicos e de alça tendem a reduzir2, Quadro 14.3, p. 120. Espironolactona com cautela se TFGe < 30 e potássio > 5,5 mEq/L2, p. 108. Na hiperpotassemia associada ao IECA ou BRA, a KDIGO propõe tratar o potássio antes de reduzir ou suspender26, ponto de prática 3.2.4, p. S24.
EdemaO edema do BCC di-hidropiridínico é dose-dependente, melhora com bloqueador do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e responde mal a diurético2, Quadro 7.3, p. 61. Diurético de alça para estados edematosos2, Quadro 7.2, p. 60. Vasodilatadores diretos retêm sódio e água2, Quadro 7.7, p. 64.
Fragilidade e 80 anos ou maisMonoterapia pode ser a estratégia inicial2, fraca, baixa; p. 26 e 65. Simpaticolíticos de ação central, antagonistas da aldosterona e vasodilatadores diretos são exceção2, p. 81. Risco de queda nas primeiras semanas de diurético2, p. 81.
Hipotensão ortostáticaMedir em pé2, p. 34. Alfabloqueadores podem provocar ou piorar; atenção a diuréticos, simpaticolíticos, nitratos e antidepressivos tricíclicos2, p. 78 e 81. Hipotensão ortostática sintomática é indicação de monoterapia2, p. 26. KDIGO: tratamento menos intensivo com hipotensão postural sintomática26, ponto de prática 3.1.2, p. S24.

1.4 Resistência aparente antes de rotular hipertensão resistente

O que conferir antes do rótulo: medida, avental branco, adesão, sal, substâncias, apneia.

Hipertensão resistente: PA acima da meta com três ou mais classes de ação sinérgica em doses máximas toleradas (de preferência tiazídico ou similar, IECA ou BRA e BCC de ação prolongada) por 30 a 60 dias, afastada a pseudorresistência, que responde por cerca de metade dos diagnósticos iniciais2, p. 105. Antes do rótulo, confira:

2. Núcleo: PA = FC × VS × RVP

Explorar a fisiologia
Modelo simplificado para entender o mecanismo. A pressão arterial média é aproximadamente débito cardíaco × resistência vascular periférica (a pressão venosa central é desprezada), e o débito é FC × VS. Cada classe aparece no termo que mais reduz; na prática age em mais de um, e o efeito depende da dose, da volemia e das compensações. As setas indicam direção, não intensidade.

A PA média é o produto do débito cardíaco (DC) pela resistência vascular periférica (RVP); o DC é o produto da frequência cardíaca (FC) pelo volume sistólico (VS). Logo, PA = FC × VS × RVP. Todo anti-hipertensivo age em pelo menos um desses termos, e o organismo responde tentando restaurar a pressão por outro termo: barorreflexo (FC e contratilidade) e retenção renal de sódio e água, com ou sem o SRAA (VS e RVP).

Esquema didático autoral, não é fluxograma de diretriz. As setas resumem fisiologia de livro-texto (sem números) e a referência a cada afirmação clínica está no painel da classe. A ordem de uso das classes vem da diretriz2, Figura 7.4, p. 66; Figura 12.5, p. 110, não deste desenho.

FC Frequência cardíaca

    VS Volume sistólico

      RVP Resistência vascular periférica

        Legenda: Age aqui ↓ onde a classe atua principalmente; Compensação ↑ onde o organismo reage; Compensação atenuada quando a outra classe selecionada bloqueia essa reação.

        Escolha uma classe (ou duas, para ver a soma)

        Os botões funcionam por toque, clique ou teclado (Tab para navegar, Enter ou Espaço para selecionar). Com duas classes marcadas, uma terceira substitui a mais antiga.

        Tabela de conferência: classe × termos

        Gerada dos mesmos dados do diagrama. "Age" indica ação principal (↓); "compensação" indica a resposta do organismo (↑) e quais classes a atenuam no diagrama.

        3. Combinações: o próprio diagrama explica

        Combine classes que agem em termos diferentes ou que bloqueiam a compensação uma da outra. A diretriz recomenda iniciar a maioria dos pacientes com associação dupla em doses baixas, de preferência em comprimido único2, forte, moderada; p. 26 e 66, e fala em "classes de anti-hipertensivos com mecanismos farmacológicos complementares" na hipertensão resistente2, p. 108. No Sistema Único de Saúde (SUS) não há associação em comprimido único nos programas de distribuição, e a associação é feita com comprimidos separados2, p. 66–67.

        Mapa das combinações. Toque numa classe para ver com quem ela combina e por quê; toque de novo, ou em "Todas", para voltar.

        Hexágono das combinações de anti-hipertensivos segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025

        Esquema redesenhado a partir da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025: associações preferidas sempre com IECA ou BRA somado a BCC ou a tiazídico2, p. 66; IECA com BRA contraindicado2, p. 67; betabloqueador em condições específicas e quarto medicamento pela Figura 7.42, Figura 7.4, p. 66. Versões anteriores deste hexágono marcavam também BCC com tiazídico como preferencial; na diretriz de 2025, essa dupla aparece dentro do esquema triplo.

        Por que cada combinação funciona (tabela)
        CombinaçãoPor que funciona no diagrama
        IECA ou BRA + BCC di-hidropiridínicoDois mecanismos diferentes sobre a RVP, e o IECA ou BRA ainda reduz o VS pela aldosterona. O bloqueio do SRAA contém a ativação de renina da vasodilatação e reduz o edema do di-hidropiridínico2, p. 66; Quadro 7.3, p. 61.
        IECA ou BRA + tiazídicoO tiazídico reduz o VS e ativa renina e aldosterona; o IECA ou BRA bloqueia essa compensação. Os efeitos sobre o potássio se opõem2, p. 66; Quadro 14.3, p. 120.
        Vasodilatador direto + betabloqueador + diuréticoO vasodilatador reduz a RVP e provoca taquicardia reflexa (FC ↑) e retenção de sódio e água (VS ↑). O betabloqueador bloqueia a primeira; o diurético, a segunda2, Quadro 7.7, p. 64; Quadro 14.8, p. 127.
        IECA ou BRA + BCC + tiazídico, depois espironolactonaTrês termos cobertos; a espironolactona bloqueia a aldosterona que sustenta a retenção de sódio na hipertensão resistente2, p. 66 e 108–110.

        Combinações a evitar

        4. Qual é a sua proposta?

        Discutir uma conduta
        De volta à decisão: as respostas trazem critério e fonte. A conduta do caso real é decidida com o professor.

        Caso fictício 1. Paciente com DRC G3b (TFGe 30–44 mL/min/1,73 m²), albuminúria A3 (RAC > 300 mg/g), potássio 5,4 mmol/L (equivalente a 5,4 mEq/L) e PA 152/94 mmHg na MRPA. Qual classe você ajustaria e o que monitora?

        Escreva a sua proposta antes de abrir o comentário. Use o diagrama: em que termo cada opção age e o que acontece com o potássio?

        Comentário

        Classificação. MRPA 152/94 está acima de 130/80: PA elevada fora do consultório2, Quadro 3.4, p. 37; se já houver tratamento, é PA não controlada2, p. 38. Categorias G3b e A3 conforme a Figura 4.22, p. 44. Meta da DBHA 2025: < 130/80 mmHg2, p. 71. A meta de PAS < 120 da KDIGO exige medida padronizada no consultório e não se aplica à MRPA26, p. S24.

        O que falta saber. Medicamentos e doses em uso (já usa IECA ou BRA? em dose máxima tolerada?), adesão, ingestão de sal, AINE, suplementos ou substitutos de sal com potássio (a KDIGO lembra que podem não servir na DRC avançada26, p. S23), estado volêmico, tendência de creatinina e potássio, diabetes.

        Alternativas para discussão.

        • Sem IECA ou BRA: é a classe que tende a entrar, pela albuminúria A326, Recomendações 3.2.1 e 3.2.3, 1B, p. S24; 2, p. 70–71. Com potássio 5,4, o início pede um plano para o potássio, e a KDIGO propõe tratar a hiperpotassemia antes de reduzir ou suspender o bloqueio do SRAA26, ponto de prática 3.2.4, p. S24.
        • Um diurético age em outro termo (VS) e tende a reduzir o potássio: com TFGe de 30 a 44 o tiazídico ainda é opção; abaixo de 30, diurético de alça, e clortalidona admitida entre 15 e 302, p. 109–110.
        • BCC di-hidropiridínico age na RVP sem efeito sobre o potássio (livro-texto) e é adequado para associação na DRC2, p. 70.
        • Espironolactona agora não é a próxima peça: risco de hiperpotassemia elevado em G3b a 52, p. 70 e cautela com potássio > 5,5 e TFGe < 302, p. 108.
        • Nunca somar BRA a IECA2, p. 61 e 68; 26, 3.3.1, p. S24.
        • Inibidor do SGLT2 entra na discussão pela proteção cardiorrenal com TFGe > 20, não pelo efeito na PA, que é modesto2, p. 64–65, 70–71.

        Monitorização. PA, creatinina e potássio em 2 a 4 semanas após iniciar ou aumentar IECA ou BRA26, ponto de prática 3.2.3, p. S24; manter o IECA ou BRA salvo alta de creatinina > 30% em 4 semanas26, ponto de prática 3.2.5; sódio e potássio com diurético; potássio e função renal durante todo o tratamento2, forte, alta, p. 71; MRPA ou MAPA para confirmar a meta2, p. 26. Doses: no painel de cada classe, no diagrama.

        Caso fictício 2. Paciente de 58 anos, em uso de anlodipino, com edema maleolar bilateral que incomoda. PA de consultório 148/92 mmHg, MAPA de 24 horas 136/84 mmHg, FC 92 bpm. O colega propõe acrescentar furosemida "para o edema e para a pressão". Qual é a sua proposta?

        Selecione "BCC di-hidropiridínicos" no diagrama e leia a caixa VS.

        Comentário

        Classificação. Em tratamento, consultório ≥ 130/80 e MAPA de 24 horas ≥ 130/80: hipertensão sustentada não controlada2, p. 38–39; Quadro 3.4, p. 37.

        O edema não é volume. O edema do di-hidropiridínico vem da dilatação pré-capilar, que aumenta a pressão no capilar (livro-texto). A diretriz registra que ele é dose-dependente, melhora com bloqueador do SRAA e responde mal a diurético2, Quadro 7.3, p. 61. A furosemida não trata a causa e, por ser de ação curta, também não é o diurético que o diagrama sugere para a PA.

        Alternativas para discussão. Acrescentar IECA ou BRA (associação preferencial com BCC2, p. 66), que age em outro mecanismo da RVP, reduz o VS e tende a reduzir o edema; ou, se o edema limitar o uso, outro BCC (manidipina, lercanidipina, levanlodipina) ou, em casos selecionados, um não di-hidropiridínico2, p. 109.

        O que falta saber. Outras causas de edema: insuficiência cardíaca (a diretriz manda evitar di-hidropiridínico na fração de ejeção reduzida2, p. 61, embora anlodipino e felodipino tenham sido neutros na mortalidade nos ensaios, com mais edema27; 28; 29), proteinúria e hipoalbuminemia, insuficiência venosa, outros medicamentos (livro-texto). A FC de 92 bpm merece explicação: com anlodipino a taquicardia reflexa costuma ser discreta (livro-texto); pense em anemia, tireoide, descondicionamento e se há indicação específica de betabloqueador2, p. 26. Mulher em idade fértil muda a escolha do IECA ou BRA2, p. 61.

        Monitorização. Creatinina e potássio após iniciar IECA ou BRA (piora inicial da função renal e hiperpotassemia2, Quadro 7.4, p. 61), edema, FC e nova MAPA ou MRPA para confirmar a meta2, p. 26. Doses: no painel de cada classe, no diagrama.

        5. Na discussão do ambulatório

        Voz do professor

        O detalhe que passa despercebido. Eu começo pelo número, não pelo remédio. Quero saber qual manguito foi usado, se o paciente chegou correndo, se a medida é a média das duas últimas e se alguém mediu em pé. Quando o paciente traz a MRPA no papel, pergunto quantos dias, em que horários e com qual aparelho. Metade da "hipertensão resistente" que chega ao ambulatório não resiste a essas perguntas.

        A pergunta que muda a decisão. "O senhor toma algum remédio para dor, gripe ou para dormir?" O anti-inflamatório e o descongestionante explicam muito descontrole. Depois, "Me mostre como toma os comprimidos": a adesão real raramente é a da receita. E, se houver ronco e sonolência, apneia.

        O que precisa ser individualizado. Quando o aluno me propõe uma classe, eu pergunto: em que termo ela age, quem vai compensar e o que acontece com o potássio e a creatinina? No idoso frágil com hipotensão ortostática, a meta é o que ele tolera em pé. Na DRC com potássio no limite, o IECA ou BRA vem com um plano para o potássio, não com medo dele. No transplantado, verapamil e diltiazem mexem no nível do tacrolimo e da ciclosporina (livro-texto). E mulher em idade fértil muda a conversa sobre IECA e BRA.

        6. Síntese do caso

        Organize a discussão a partir de valores fictícios. A síntese mostra classificação, o que falta saber, alternativas para discussão e monitorização. Não é prescrição. Nada é enviado nem guardado.

        Números: vírgula ou ponto só como decimal (1,8 ou 1.8), sem separador de milhar.

        PA de consultório (média das duas últimas de três medidas)
        mmHg
        mmHg
        Medida fora do consultório
        mmHg
        mmHg
        Tratamento atual
        Contexto clínico

        As classes marcadas no diagrama (seção 2) entram na síntese como "classes em discussão".

        Referências: lista completa da área de ensino, com links

        Fora desta página: hipertensão na gestação (capítulo 10 da DBHA 2025), que tem classificação, metas e medicamentos próprios. Também fora: hipertensão em diálise, que segue a I Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial na Diálise, da Sociedade Brasileira de Nefrologia, e a discussão com a equipe de diálise.